sábado, julho 14, 2018

Idas e Vindas

Que é isso? A única coisa que me faz voltar pra LA é a minha cachorra. Sinto falta um pouco do meu canto mas na verdade nada mais. Quem sabe comprar kombucha barato e o meu liquidificador? :) Mas sério, estou sem vontade de partir porque estou com a sensação de que não fiz nada ainda. Tem muita gente que não encontrei (como sempre) e muita coisa que eu ainda queria fazer.

Enquanto isso o que ouvi de gente aqui dizendo que quer ir embora do país. Nunca tinha visto isso. Uma prima partiu pros EUA hoje. Um amigo vai mês que vem. Até meus tios disseram que se fossem mais novos, eles gostariam de ir. Todo mundo super decepcionado e cansado com o país, com a corrupção, com a falta de eficácia.

E eu querendo voltar, de saco cheio do Trump mas realmente trabalho aqui não rola. Tenho muito mais chances de trabalhar lá do que aqui.

Fui chamada a atenção que eu (e percebo que na minha cultura) damos muitas desculpas e por isso não agimos tanto. Cheio de justificativas por não fazer algo.

quinta-feira, julho 12, 2018

Em Caso de Emergência

Quanto mais velho a gente fica e quanto mais gente conhecemos, as chances de perder alguém aumentam. Este ano o câncer levou minha mãe e uma amiga de 27 anos no mês seguinte. Ontem recebi a triste notícia de um amigo que estava de férias na Flórida com a família e levou um caixote na praia. Ele bateu forte com a cabeça, perdeu a consciência e ficou embaixo da água uns 4min. Está em coma induzido com várias fraturas na coluna, pescoço e talvez crânio e se sobreviver, na melhor das hipóteses vai ficar tetraplégico.
Como imigrante, sei que sempre vou ter 2 corações onde quer que eu esteja. Sendo alguém que passou por uma doença e cirurgia séria há 4 anos, me passa pela cabeça onde gostaria de estar caso algo acontecesse comigo de novo. Estou curtindo muito Floripa este ano, as eternas amizades, em como me sinto à vontade com certos amigos, em como a conversa flui. Ultimamente sinto mais dificuldade dessa ligação por lá (o que eu não sentia antes).
Mas agora vejo também em como a nossa comunidade em Los Angeles se move diante de desafios como desta semana. De ontem pra hoje:
- uma mulher já se responsabilizou como ponte de comunicação entre os amigos e a esposa pra não sobrecarregá-la
- foram criadas 2 contas de arrecadação pra ajudar a família, uma pra ajudar a esposa que largou o emprego pra viajar pra Flórida e ficar com ele
- estão mandando refeições para quem está no hospital
- agilizaram pra cuidar da casa e do cachorro
- checam direto com todos os membros da família se precisam de alguma coisa
- foram buscar o carro dele no aeroporto
- uma acupunturista ofereceu sessões gratuitas pra quem estiver passando por muito stress
Isso em um dia. Enfim estão prontos pra ajudar no que for preciso.
Como as famílias são mais espalhadas por lá, os amigos tomam as rédeas. Eu já vi esta solidariedade diversas vezes e me comove bastante. O americano é muito prático e admiro isso.
Não estou dizendo que isso não aconteça aqui também. Recebi apoio de pessoas esse ano e sou muito grata por isso. Mas fico impressionada com a agilidade e capacidade de mobilização.

terça-feira, julho 10, 2018

Stress total

Os planos que eu tinha falharam e não estou com nenhuma vontade de voltar pra Los Angeles. Tanta coisa pra fazer aqui ainda e não sei se vou dar conta. Daí me estresso demais. Por que esse processo de mudança me estressa tanto? É estranho mas não me sinto mais entrosada com as pessoas de lá. Se não fosse pela minha cachorra, eu ficava.

quinta-feira, julho 05, 2018

Verão x Inverno

Uma onda de calor chega em Los Angeles neste fim de semana e a previsão de temperatura é de 41ºC. E aqui em Floripa o "ventosúli" deixa em 16ºC. Eu que sempre fui louca por verão nunca pensei que diria isso mas estou preferindo o friozinho de agora do que o calor infernal que fica na minha casa lá em LA sem ar condicionado.
Ir à praia em dias de extremo calor em LA é quase uma tarefa impossível por causa do trânsito. Então ficamos por aqui embaixo das cobertas.

quarta-feira, maio 16, 2018

Inverno em Floripa

Esse ano vou comer pinhão e tainha depois de 8 anos. Ô coisa boa! Prefiro o verão em Floripa mas a gente aguenta.
Agora 18 anos de EUA causa a preocupação da "gringa" ter que lavar louça com água gelada. Ai! Já era difícil quando eu morava lá. Imagina agora?

domingo, maio 06, 2018

Crocs

Não te dá a impressão às vezes de que o ser humano perdeu a completa noção do bom senso?
Fazer um croc de plataforma super alta já é meio estranho mas vai. Agora cobrar $850 pelo sapato que surgiu como acessório de jardinagem e ainda ter fila de espera pra comprar?
Que loucura!

sexta-feira, abril 13, 2018

Eremita

Desde que cheguei de viagem, raramente saio de casa por vários motivos:
1) Nina precisa de remédio 3x por dia e ela fica menos ansiosa e mais saudável quando estamos em casa.
2) Tem sido um ano de muitos gastos inesperados e só ficando em casa pra não gastar.
3) Perdi contato com a maioria das pessoas.

Uma vez ou outra eu ponho os pés na rua. Sábado passado fui fazer uma trilha de 5 milhas total. A ida foi tranquila. A volta quase me deu um troço. Carregando a Nina e mais uma mochila na subida me deixou acabada. Fiquei assustada de estar até doente de novo pois nunca tinha ficado tão sem fôlego.

Eu sempre me liguei em notícias políticas mas entre a prisão do Lula e o ataque à Síria, não dá mais. É muita manipulação, muita calhordice, muita máfia. Quero focar mais em buscar notícias positivas que me inspirem. 

segunda-feira, março 19, 2018

Prazer nas Coisas Simples

Meus tomatinhos
Um dos meus maiores prazeres hoje em dia é colher algo que plantei. Literalmente.
Meu pezinho de tomate virou um pezão e já colhi vários tomates criados de forma orgânica e com amor. No ano passado também colhi 2 abóboras. E ainda tem manjericão, lavanda, capim-limão e hortelã.
E com a composteira no lado, as plantas crescem que é uma maravilha. Como isso me deixa bem!





quinta-feira, março 15, 2018

Eremitando

Cheguei em LA em uma semana e nos últimos 4 dias nem botei os pés na rua, quer dizer só no quintal pra colher tomates. Meu pé de tomate virou árvore nesse mês fora.
Muita coisa aconteceu mas ando sem vontade de blogar ultimamente. Uma hora eu volto.

Ainda sem saber o que fazer entre passar tempo com a Nina e resolver as coisas no Brasil que ficaram pra trás.

quinta-feira, fevereiro 22, 2018

Depois da Partida

A cada dia que passa se torna mais aceitável lidar com a partida e a saudade da minha mãe mas às vezes ainda parece surreal que ela não está mais aqui. Vou sentir muita falta das nossas conversas. Ela sempre me tratou de igual pra igual e por isso a gente podia conversar sobre qualquer coisa. Esse era um aspecto muito legal dela.
Desde 1994 minha mãe sofreu muito com doenças físicas e mentais. Eu tentei tantas vezes fazer com ela sentisse amor pela vida novamente mas não consegui e esta era uma grande dor. Ver uma mulher independente, que curtia a vida de repente com um olhar de angústia, desespero... é triste.
Enfim...espero que ela encontre em outro plano a paz e o amor que não encontrou aqui.

E eu sempre assim. Quando estou lá, não sinto falta daqui e vice-versa. Quero ver a Nina mas também gostaria de passar um tempo aqui e lidar calmamente com tudo que é necessário pois no momento não estou nem um pouco a fim.

O que estou curtindo no momento:
- a padaria embaixo do apê (saudade que estava de padarias)
- apoio emocional dos amigos que nisso os brasileiros são melhores
- dentista que dê pra pagar
- ser convidada para ver os amigos e que não envolva gastar dinheiro. Estou cansada de tudo envolver um evento que custe grana por lá ou ter que levar mil coisas o tempo todo.

Eu e o namorado falamos da possibilidade de no futuro passar 6 meses aqui e 6 meses lá. Agora isso parece ideal. Parece perfeito!

sábado, fevereiro 17, 2018

Partida

Ter que preparar a partida de minha mãe...
Às vezes não quero ter velório. Quem queria se despedir da minha mãe, já se despediu no hospital. A ideia de vir um monte de gente do nada se despedir da minha mãe depois da partida dela não faz sentido pra mim. Ter que receber pêsames de um monte de gente me dá aflição.
Lá nos EUA muitas vezes fazemos uma celebração à vida uma ou duas semanas depois com fotos, recordações, relembrar as memórias e histórias dela. Parece muito melhor.

3ª Semana

Uma coisa que eu aprendi nessa vida é que ninguém sobrevive só de boas intenções, discursos, pensamentos e orações. Na hora do sufoco o que conta mesmo são as ações e atitudes de chegar e fazer. Será a “empatia prática”? E contar com gente assim é impagável. Nesse momento difícil algumas pessoas queridas tomaram as rédeas e não sei o que seria sem elas, tanto amigas da minha mãe quanto amigas minhas. Isso sempre toca meu coração. Como é bom poder contar com apoio, amor, compaixão e atitude. Aquela doação sem esperar nada em troca e puro amor ao próximo. Sou grata pelo resto da minha vida.
Demonstrações de amor contam muito mais que orações a divindades religiosas.

Os resultados de um mundo melhor com mais amor vem das nossas ações, não das nossas intenções. Eu vejo muita gente que prega muita coisa mas na hora do "vamos ver" não age de acordo. Acho que isso serve para a maioria de nós. Apareceram amigos que não vejo há 10 anos oferecendo ajuda todos os dias seja com uma palavra de conforto, uma refeição, qualquer coisa. Obrigada por haver pessoas assim pois não contar com ninguém nessas horas seria muito mais difícil do que já é. As intenções e orações não ajudam a me dar um descanso pra ficar mais forte no processo de estar ao lado da minha mãe. 

Descobri que a lei do direito de morte (eutanásia) foi aprovada no ano passado na Califórnia. Ainda bem. Nunca mais quero ver um ser humano sofrendo desse jeito. Os gritos de dor que escutei no corredor do hospital são aterrorizantes.

Já não estou sentindo tanta falta de casa porque meu pensamento está concentrado na minha mãe. Comentei com os amigos de lá sobre a ideia de ficar aqui um tempo e eles: "não! queremos você aqui onde você pertence". Que bonitinho! O que seria dessa vida sem amigos?