Cheguei em Arequipa na última sexta depois de uma viagem tumultuada com policia apreendendo contrabando dentro do onibus.
A cidade fica a 2400m acima do nivel do mar cercada de montanhas nevadas e vulcoes, sendo que um ativo. É a segunda maior cidade do país e com jeito mais espanhol que indígena que vi até agora.
Aqui tem vários "passeios ecológicos": rafting, trekking, cross country biking, canyons.
Como estou sozinha, resolvi fazer a primeira excursao da minha vida adulta. Nunca tive muita vontade de viajar em "tour" e virar aquele turista tradicional com horário marcado, restaurante para turista comer, parada para comprar souvenir, sem ter muito contato com o povo local. Mas no final nao foi tao ruim pois o nosso guia tinha um jeito revolucionário e falou dos conflitos de Ayacucho, projetos de irrigacao, beneficios da folha de coca, aquecimento global, etc.
Subimos a 5600m de altitude e depois ficamos em Chivay, uma vila com arquitetura pré-inca no meio do Vale do Colca a 3600m de altitude. Dancar bambole a essa altura nao foi muito facil e depois de um tempo a respiracao falhou.
No dia seguinte fomos ver o canyon que é considerado o mais profundo do mundo e a atracao principal que sao os condores da regiao. Tivemos muita sorte porque vimos vários voando sobre a nossa cabeca, o que nao é muito comum nessa época.
Em poucos dias, estarei de volta em LA. Ainda nao me decidi se paro em Pisco. Toda essa viagem tem sido otima mas estou pronta pra voltar a um "porto seguro", apertar meus cachorros, ver meus amigos, dancar a noite toda e nao ficar mais doente.
segunda-feira, fevereiro 18, 2008
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Carnaval em Puno
Quando comecei a conhecer Cusco, era hora de partir. Cheguei em Puno as 5:30 da manha. Deixamos as coisas no hotel e fizemos um passeio de barco pras Ilhas Flutuantes dos Uros e Ilha Taquile, onde os nativos ainda se vestem a caráter. Aliás, aqui em Puno foi onde vi mais vestimentas tradicionais.
A primeira impressao de Puno é de que era mais pobre que Pisco mas na verdade o que nao sabíamos é que estávamos andando na favela. O parque de diversoes é cheio de mesas de pimbolim ou totó.
Desde que saí de Pisco estou viajando com a Kendall de San Francisco e o Jon da Suécia, ambos acima de 1,80m. Imagina esses loiros gigantes andando com essa mulher miniatura?
Como eu disse antes, o Carnaval aqui acontece cada semana numa cidade diferente e cada cidade tem sua tradiçao. A noite fomos assistir a Festa da despedida da Virgem na praça da cidade e de repente um grupo nos puxou pro desfile logo atrás da banda. Fomos pulando juntos até o morro onde todas as bandas se reúnem. AS bandas lembram um pouco as marchinhas de Carnaval e os blocos do Rio, exceto pelo ritmo. Todo mundo super bem vestido e os homens todos de ternos. Acho que éramos os únicos gringos nas festividades. O povo aqui é o mais acolhedor que eu conheci no Peru até agora. Eles ficaram nos ensinando a dança típica, convidando pra desfilar no ano que vem, pegando nossos e-mails e nos enchendo de bebida. Dançamos horas e horas e finalmente pudemos assistir algo nao turístico.
Amanha parto sozinha pra Arequipa.
A primeira impressao de Puno é de que era mais pobre que Pisco mas na verdade o que nao sabíamos é que estávamos andando na favela. O parque de diversoes é cheio de mesas de pimbolim ou totó.
Desde que saí de Pisco estou viajando com a Kendall de San Francisco e o Jon da Suécia, ambos acima de 1,80m. Imagina esses loiros gigantes andando com essa mulher miniatura?
Como eu disse antes, o Carnaval aqui acontece cada semana numa cidade diferente e cada cidade tem sua tradiçao. A noite fomos assistir a Festa da despedida da Virgem na praça da cidade e de repente um grupo nos puxou pro desfile logo atrás da banda. Fomos pulando juntos até o morro onde todas as bandas se reúnem. AS bandas lembram um pouco as marchinhas de Carnaval e os blocos do Rio, exceto pelo ritmo. Todo mundo super bem vestido e os homens todos de ternos. Acho que éramos os únicos gringos nas festividades. O povo aqui é o mais acolhedor que eu conheci no Peru até agora. Eles ficaram nos ensinando a dança típica, convidando pra desfilar no ano que vem, pegando nossos e-mails e nos enchendo de bebida. Dançamos horas e horas e finalmente pudemos assistir algo nao turístico.
Amanha parto sozinha pra Arequipa.
terça-feira, fevereiro 12, 2008
Ontem eu bamboleei na Cidade Perdida
Eu nao pensei que ficaria tao impressionada com Machu Picchu mas agora eu entendo porque as pessoas falam tanto deste lugar. Me deu vontade de ler tudo sobre os incas.
Desde que eu comecei essa viagem, eu visualizava dancando com meu fiel companheiro na Cidade Sagrada. Foi rapidinho mas que sensacao de liberdade! Eu e meu bambole quando a cidade ainda estava bem vazia. Tai, acho que fiz uma coisa inedita.
Fui uma das primeiras a chegar e uma das ultimas a sair. Andei toda trilha possivel, todo pedacinho da cidade. Isso eh o que da andar com um casal 10 anos mais novo do que eu e o dobro do meu tamanho.
Amanha ou depois de amanha eu parto de Cusco mas ainda nao tenho certeza pra onde.
Desde que eu comecei essa viagem, eu visualizava dancando com meu fiel companheiro na Cidade Sagrada. Foi rapidinho mas que sensacao de liberdade! Eu e meu bambole quando a cidade ainda estava bem vazia. Tai, acho que fiz uma coisa inedita.
Fui uma das primeiras a chegar e uma das ultimas a sair. Andei toda trilha possivel, todo pedacinho da cidade. Isso eh o que da andar com um casal 10 anos mais novo do que eu e o dobro do meu tamanho.
Amanha ou depois de amanha eu parto de Cusco mas ainda nao tenho certeza pra onde.
quinta-feira, fevereiro 07, 2008
Continuo bem doente e se eu continuar assim, acho que vou pra Lima.
Hoje foi feriado e as pessoas foram as ruas pra um protesto contra a privatizacao de Machu Picchu.
obs: Eu nao sabia que a bandeira de Cuzco era tao parecida com a bandeira gay.
Tradição carnavalesca aqui é jogar água nos outros a semana toda. Em Pisco ficamos encharcados.
Hoje foi feriado e as pessoas foram as ruas pra um protesto contra a privatizacao de Machu Picchu.
obs: Eu nao sabia que a bandeira de Cuzco era tao parecida com a bandeira gay.
Tradição carnavalesca aqui é jogar água nos outros a semana toda. Em Pisco ficamos encharcados.
quarta-feira, fevereiro 06, 2008
Contratempos na estrada
Passei o último fim-de-semana na Reserva Nacional de Paracas, um deserto à beira da praia onde há várias espécies de animais como leão marinho, pinguim, golfinho e inúmeras aves. Um dos voluntários, o australiano Pete que está viajando há 11 anos, nos levou para um vôo duplo de parapente. Antes de sair de LA, ganhei um vôo de monomotor e agora parapente. Amei!
Segunda foi minha última noite em Pisco. Todos os voluntários insistiram para eu ficar e depois de tanta convivência e ideais em comum, foi bem difícil partir. Sinto falta deles. Eu queria ficar mais mas aproveitei pra viajar com a Kendall, uma garota de San Francisco.
Pegamos uma carona até a Panamericana e depois um ônibus pra Ica. Passamos o dia em Huacachina, um oásis perto da cidade com as maiores dunas que eu já vi na minha vida. A intenção era de ir pra Arequipa mas como não tinha ônibus naquele dia, partimos pra Cuzco. O problema é que uma salmonella me atacou e foi uma das viagens mais difíceis que eu já fiz. 17 horas de ônibus, uma televisão quase despencando na minha cabeça, um sueco gritando enquanto dormia e eu com uma baita febre. Depois da catapora em Paris, isso tá virando rotina.
Cheguei em Cuzco há uma hora. Bom ver tanto verde depois de tanta destruição apesar que estou com saudade de Pisco e vontade de voltar.
Segunda foi minha última noite em Pisco. Todos os voluntários insistiram para eu ficar e depois de tanta convivência e ideais em comum, foi bem difícil partir. Sinto falta deles. Eu queria ficar mais mas aproveitei pra viajar com a Kendall, uma garota de San Francisco.
Pegamos uma carona até a Panamericana e depois um ônibus pra Ica. Passamos o dia em Huacachina, um oásis perto da cidade com as maiores dunas que eu já vi na minha vida. A intenção era de ir pra Arequipa mas como não tinha ônibus naquele dia, partimos pra Cuzco. O problema é que uma salmonella me atacou e foi uma das viagens mais difíceis que eu já fiz. 17 horas de ônibus, uma televisão quase despencando na minha cabeça, um sueco gritando enquanto dormia e eu com uma baita febre. Depois da catapora em Paris, isso tá virando rotina.
Cheguei em Cuzco há uma hora. Bom ver tanto verde depois de tanta destruição apesar que estou com saudade de Pisco e vontade de voltar.
sábado, fevereiro 02, 2008
Ultima semana
Esta eh a minha ultima semana em Pisco. Os 10 primeiros dias foram dificeis pelas condicoes da cidade ainda mais no bairro em que estamos. Pisco eh considerado um dos lugares mais perigosos do Peru e Pisco Playa, onde estamos eh praticamente o pior bairro da cidade e portanto, o que mais precisa de assistencia.
Essa semana trabalhei com um canadense, um ingles e 2 suiccas reformando a biblioteca de uma escola. Derrubamos parede, pintamos, fizemos uma estante, graccas a doaccao de um americano.
Conseguir recursos para tantos projetos eh a maior dificuldade.
Agora ja estou com mais animo de trabalhar e ja estou mais enturmada. Nem da mais vontade de ir pois ha tanta coisa pra fazer. Alias, todo mundo acaba ficando mais do que o esperado. Muitos destes voluntarios, ja trabalharam em outros desastres como o Tsunami e o Katrina e esta sendo muito bom conviver com esses viajantes que chegam a passar anos na estrada. Muita inspiracao.
Essa semana trabalhei com um canadense, um ingles e 2 suiccas reformando a biblioteca de uma escola. Derrubamos parede, pintamos, fizemos uma estante, graccas a doaccao de um americano.
Conseguir recursos para tantos projetos eh a maior dificuldade.
Agora ja estou com mais animo de trabalhar e ja estou mais enturmada. Nem da mais vontade de ir pois ha tanta coisa pra fazer. Alias, todo mundo acaba ficando mais do que o esperado. Muitos destes voluntarios, ja trabalharam em outros desastres como o Tsunami e o Katrina e esta sendo muito bom conviver com esses viajantes que chegam a passar anos na estrada. Muita inspiracao.
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Bactérias
Eu pensei que meu sangue brasileiro me deixaria imune das doenças que os "gringos" pegaram mas as bactérias me atacaram também. Desde o terremoto há umas bactérias no ar e todos os voluntários acabam doentes depois de 5 dias. Pois é, essa semana sou eu. Mas daqui a pouco estou bem.
Essa semana recomeçamos o intercâmbio com a comunidade. Eles costumavam ter umas 10 pessoas que vinham participar mas esta semana tivemos umas 50 pessoas dos 4 aos 40 anos. Falamos português, espanhol, inglês, dançamos samba, cumbia (ou algo assim) e mesmo depois de um dia cansativo, todo mundo se divertiu e saiu com um sorriso no rosto.
Infelizmente não estou batendo fotos porque minha câmera se foi no segundo dia de viagem no Rio. Se eu pudesse, iria lá em casa buscar meu material fotográfico e voltava. Estou querendo fazer umas matérias sobre o lugar. Jornalistas de plantão, alguma sugestão?
Aliás, estamos precisando de doações e voluntários pra continuar os projetos na cidade. Ainda tem muita gente vivendo em barracas. Aqui tem trabalho pra anos. Mais sobre o que estamos fazendo no site www.burnerswithoutborders.org
Essa semana recomeçamos o intercâmbio com a comunidade. Eles costumavam ter umas 10 pessoas que vinham participar mas esta semana tivemos umas 50 pessoas dos 4 aos 40 anos. Falamos português, espanhol, inglês, dançamos samba, cumbia (ou algo assim) e mesmo depois de um dia cansativo, todo mundo se divertiu e saiu com um sorriso no rosto.
Infelizmente não estou batendo fotos porque minha câmera se foi no segundo dia de viagem no Rio. Se eu pudesse, iria lá em casa buscar meu material fotográfico e voltava. Estou querendo fazer umas matérias sobre o lugar. Jornalistas de plantão, alguma sugestão?
Aliás, estamos precisando de doações e voluntários pra continuar os projetos na cidade. Ainda tem muita gente vivendo em barracas. Aqui tem trabalho pra anos. Mais sobre o que estamos fazendo no site www.burnerswithoutborders.org
segunda-feira, janeiro 21, 2008
Pisco
Nao tem acento desta vez.
Por mais que se leia as noticias no jornal, reporte numeros e historias, nao da pra se ter ideia da dimensao de um desastre como este terremoto no Peru.
O bairro em que estamos foi 80% destruido. A organizacao que estava aqui antes da gente, Hands on Disaster Relief, removeu os escombros e agora a Burners Without Borders esta trabalhando na reconstrucao.
A gente anda pelas ruas e somente 1 ou 2 casas em cada rua ficaram de pe. Cinco meses se passaram e so agora o Governo comecou a fazer umas poucas casas pre-fabricadas. As vitimas continuam esperando pelos $190 milhoes de dolares que os outros paises mandaram e ainda nao foi liberado pelo Governo.
Por isso, o trabalho das ONGs e voluntarios tem sido fundamental. Todo o dinheiro que levantamos eh investido diretamente na comunidade e principalmente na compra de material para a reconstrucao.
Cheguei em Pisco na ultima quinta. Na sexta trabalhei na reconstrucao de uma escola numa vila de pescadores. Esta semana estou no projeto Caritas que consiste em 120 casas temporarias (afinal essas pessoas estao sem teto ha 5 meses) feitas de plastico e folhas tranccadas.
Alem destes projetos temos voluntarios trabalhando em outras 2 escolas e num prototipo de banheiro/cozinha por causa do problema de saneamento basico. Esse eh um dos piores problemas depois de um desastre e responsavel pelo grande numero de mortes. Tambem temos um programa de intercambio onde ensinamos ingles e eles nos ensinam espanhol.
Eu estava insegura mas estou muito feliz de ter vindo. Fazer parte de um projeto onde qualquer ajuda eh tao necessaria torna o trabalho gratificante.
Por mais que se leia as noticias no jornal, reporte numeros e historias, nao da pra se ter ideia da dimensao de um desastre como este terremoto no Peru.
O bairro em que estamos foi 80% destruido. A organizacao que estava aqui antes da gente, Hands on Disaster Relief, removeu os escombros e agora a Burners Without Borders esta trabalhando na reconstrucao.
A gente anda pelas ruas e somente 1 ou 2 casas em cada rua ficaram de pe. Cinco meses se passaram e so agora o Governo comecou a fazer umas poucas casas pre-fabricadas. As vitimas continuam esperando pelos $190 milhoes de dolares que os outros paises mandaram e ainda nao foi liberado pelo Governo.
Por isso, o trabalho das ONGs e voluntarios tem sido fundamental. Todo o dinheiro que levantamos eh investido diretamente na comunidade e principalmente na compra de material para a reconstrucao.
Cheguei em Pisco na ultima quinta. Na sexta trabalhei na reconstrucao de uma escola numa vila de pescadores. Esta semana estou no projeto Caritas que consiste em 120 casas temporarias (afinal essas pessoas estao sem teto ha 5 meses) feitas de plastico e folhas tranccadas.
Alem destes projetos temos voluntarios trabalhando em outras 2 escolas e num prototipo de banheiro/cozinha por causa do problema de saneamento basico. Esse eh um dos piores problemas depois de um desastre e responsavel pelo grande numero de mortes. Tambem temos um programa de intercambio onde ensinamos ingles e eles nos ensinam espanhol.
Eu estava insegura mas estou muito feliz de ter vindo. Fazer parte de um projeto onde qualquer ajuda eh tao necessaria torna o trabalho gratificante.
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Peru
O blog anda meio abandonado mas nao foi fácil usar a internet em Floripa. Tenho escrito muito mas pra mim mesma.
Desta vez foi mais difícil me despedir do Brasil. Ontem as lágrimas escorriam sem parar. Eu e meus pais nos conectamos super bem dessa vez e tive vontade de passar mais tempo com eles. Além disso, revi amigos, encontrei com pessoas que eu ñ via há muito tempo, curti muita praia, passei uns dias na minha querida Guarda do Embaú, bamboleei bastante, comi muita ostra e a tao adorada paella do Serginho, assisti o show de 15 anos do Dazaranha (uma banda nativa que eu acompanhei desde o começo).
15 dias de férias ñ seriam suficientes. Só pra me readaptar a tudo depois de 3 anos, demorou esse tempo. Depois sempre resisto a partir. Foi assim em LA, no Rio e em Floripa.
Cheguei hoje no Peru. Tudo certo até agora. Graças aos amigos, estou hospedada na casa de um casal muito legal. Em breve estarei indo pra Pisco trabalhar.
Desta vez foi mais difícil me despedir do Brasil. Ontem as lágrimas escorriam sem parar. Eu e meus pais nos conectamos super bem dessa vez e tive vontade de passar mais tempo com eles. Além disso, revi amigos, encontrei com pessoas que eu ñ via há muito tempo, curti muita praia, passei uns dias na minha querida Guarda do Embaú, bamboleei bastante, comi muita ostra e a tao adorada paella do Serginho, assisti o show de 15 anos do Dazaranha (uma banda nativa que eu acompanhei desde o começo).
15 dias de férias ñ seriam suficientes. Só pra me readaptar a tudo depois de 3 anos, demorou esse tempo. Depois sempre resisto a partir. Foi assim em LA, no Rio e em Floripa.
Cheguei hoje no Peru. Tudo certo até agora. Graças aos amigos, estou hospedada na casa de um casal muito legal. Em breve estarei indo pra Pisco trabalhar.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Usar a internet aqui não é tarefa muito fácil.
Sinto que estou aqui uns 4 meses e agora tenho só uma semana. No começo me senti uma gringa, estranhei muita coisa mas agora estou readaptada sem vontade de ir. Ao mesmo tempo morro de saudade dos meus cachorros e dos amigos em LA.
No dia 16 estaria embarcando pro Peru pra trabalhar com a ONG mas agora fiquei sabendo que houve muitos voluntários foram roubados, mesmo andando em grupos. Agora não estou certa do que fazer. Se volto direto pra LA, se fico aqui um pouco mais, se vou pra Costa Rica...
Sinto que estou aqui uns 4 meses e agora tenho só uma semana. No começo me senti uma gringa, estranhei muita coisa mas agora estou readaptada sem vontade de ir. Ao mesmo tempo morro de saudade dos meus cachorros e dos amigos em LA.
No dia 16 estaria embarcando pro Peru pra trabalhar com a ONG mas agora fiquei sabendo que houve muitos voluntários foram roubados, mesmo andando em grupos. Agora não estou certa do que fazer. Se volto direto pra LA, se fico aqui um pouco mais, se vou pra Costa Rica...
quinta-feira, dezembro 06, 2007
Cidade Maravilhosa

Depois de uma semana louca de mudancas, carregar caixas, achar deposito, fazer malas, vender carro e tudo mais, parti de LA no dia 29 e cheguei no Rio na ultima sexta. Vim pra ficar 3 ou 4 dias mas ja faz uma semana e creio que fico mais alguns dias. Tinha esquecido como eu gosto desta cidade. No ultimo fim-de-semana me encontrei com os amigos que eram do movimento estudantil e vieram gente de SC, SP e SE. Que felicidade! Eh o tipo de amizade que mesmo com a distancia eh sempre gostoso quando nos encontramos. Final de semana regado a muita cerveja e samba. Foi tao bom reencontrar os amigos que eu nao conseguia parar de rir. No domingo fui no tal do trem do samba onde perdi minha camera. A segunda em um ano. Acho que tenho uma maldicao dos eletronicos porque no primeiro dia meu computador tambem quebrou.
Estou pertinho da praia e curtindo o sol que eu estava precisando.
Essa semana fui numa praia que eu era afim de conhecer ha anos: Itacoatiara em Niteroi(foto). Paraiso! Valeu a pena a espera.
sexta-feira, novembro 23, 2007
Esses dias eu estava conversando com um amigo dos tempos de movimento estudantil e ele perguntou:
- Mas você não tem medo de um dia se arrepender de ter ficado aí, deixando seus projetos de comunicação de lado? Se arrepender de ter deixado seu país e depois perceber que é tarde demais?
Eu perdi essa coisa de raíz há muito tempo. Então porque eu nasci no Brasil, eu devo ficar no Brasil? Não me sinto somente brasileira, muito menos americana. Me sinto parte de algo maior do que apenas um país. Pela primeira vez tentei imaginar como seria minha vida hoje se eu tivesse ficado por lá. Não há uma imagem na cabeça, não faço a menor idéia.
Acho que este ano foi transitório e de aprendizado pra mim. Aqui aprendi a ser mais positiva, mais paciente, mais prática. Aprender a se comunicar numa cultura diferente da sua é fascinante e eu não quero dizer só o idioma mas a forma de se relacionar, de entender e ser entendido, de ler as entrelinhas, de respeitar as diferenças.
A principal satisfação em ter ficado foi a possibilidade de fazer parte de uma comunidade (os burners) na qual eu me identifico muito. Hoje em dia, tenho consciência desta minha necessidade de sentir parte de um todo e ao mesmo tempo, preservar minha individualidade. Com eles, vi que aqui também há muita gente espiritual, afetiva, solidária e liberal. Me envolvi com arte, dança e trabalhos humanitários desde ajudar mendigos através de atividades até vítimas de desastre através de reconstrução. Vi a aceitação das diferenças sem rotular os outros. Aprendi a doar mais. Aprendi a melhorar a auto-estima. Vi que apontar virtudes traz muito mais resultado que apontar defeitos. Conheci mulheres fortes, independentes, seguras e que de sexo frágil não têm nada.
Se eu não tivesse me envolvido com esta comunidade, provavelmente teria voltado pro Brasil. No entanto, não sei se teria a possibilidade de viver algo assim lá porque nunca conheci nada igual e no Brasil somos mais voltados para a família. E aqui estou 7 anos depois, sem ter feito dinheiro, sem carro novo ou casa mas de bem com a vida.
- Mas você não tem medo de um dia se arrepender de ter ficado aí, deixando seus projetos de comunicação de lado? Se arrepender de ter deixado seu país e depois perceber que é tarde demais?
Eu perdi essa coisa de raíz há muito tempo. Então porque eu nasci no Brasil, eu devo ficar no Brasil? Não me sinto somente brasileira, muito menos americana. Me sinto parte de algo maior do que apenas um país. Pela primeira vez tentei imaginar como seria minha vida hoje se eu tivesse ficado por lá. Não há uma imagem na cabeça, não faço a menor idéia.
Acho que este ano foi transitório e de aprendizado pra mim. Aqui aprendi a ser mais positiva, mais paciente, mais prática. Aprender a se comunicar numa cultura diferente da sua é fascinante e eu não quero dizer só o idioma mas a forma de se relacionar, de entender e ser entendido, de ler as entrelinhas, de respeitar as diferenças.
A principal satisfação em ter ficado foi a possibilidade de fazer parte de uma comunidade (os burners) na qual eu me identifico muito. Hoje em dia, tenho consciência desta minha necessidade de sentir parte de um todo e ao mesmo tempo, preservar minha individualidade. Com eles, vi que aqui também há muita gente espiritual, afetiva, solidária e liberal. Me envolvi com arte, dança e trabalhos humanitários desde ajudar mendigos através de atividades até vítimas de desastre através de reconstrução. Vi a aceitação das diferenças sem rotular os outros. Aprendi a doar mais. Aprendi a melhorar a auto-estima. Vi que apontar virtudes traz muito mais resultado que apontar defeitos. Conheci mulheres fortes, independentes, seguras e que de sexo frágil não têm nada.Se eu não tivesse me envolvido com esta comunidade, provavelmente teria voltado pro Brasil. No entanto, não sei se teria a possibilidade de viver algo assim lá porque nunca conheci nada igual e no Brasil somos mais voltados para a família. E aqui estou 7 anos depois, sem ter feito dinheiro, sem carro novo ou casa mas de bem com a vida.
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