sábado, março 12, 2005

Music + Video
Primeiro repasso o site desse vídeo sobre gatos feito pro Fat Boy Slim. Muito bom!

E na segunda participo do meu segundo videoclipe, dessa vez pro cantor australiano Ben Lee. Ontem na audition nem pensei que eles tinham gostado de mim. Eu jamais imaginei que um dia eu ganharia dinheiro com bambolê. Tipo de trabalho que você nem sente o tempo passar. Que felicidade! Comecei na brincadeira e hoje em dia tenho até "discípulos". Toda festa estou lá dançando com o bambolê. Me desligo do mundo e vou até o espaço provavelmente porque o círculo serve como proteção já que ninguém pode chegar perto. Me deu mais auto-estima e é sexy sem ser vulgar.
Provavelmente para a maioria das pessoas soa estranho falar de bambolê pra adultos. No meu grupo é muito comum. Virou onda total. No hooping.org você encontra alguns vídeos. Há uma lista de discussão sobre bambolê no Tribe.net com 350(!) pessoas. E o que gente faz? Difiícil explicar. No meu caso, apenas danço com o bambolê em volta. Coisa que muitos não conseguem por falta de ritmo. A gente bamboleia no pescoço, no joelho, pula, dá voltas... cada dia se inventa algo novo.

Post-posting

A gravação do videoclipe foi divertida mas eu estava exausta depois de mais de 10 horas no estúdio. Eles adoraram minha apresentação e o grupo inteiro elogiou meu trabalho. Hoje eles postaram algumas fotos no blog do Ben Lee. As fotos não ficaram tão boas mas valeu o registro. E um outro show chamou pra me apresentar no fim do mês. Desse jeito vou virar profissional.

Essa semana está um loucura! De repente surgiram vários trabalhos ao mesmo tempo, que estou apavorada pra terminar uma matéria que tenho pra entregar.

quarta-feira, março 02, 2005

ADD
Toda década aparece uma "nova doença infantil", quer dizer, corrigir um erro na criança. Na minha época eram as botas ortopédicas. Horrorosas. Eu usei. Depois era um tal de usar aparelho ortodôntico (é isso?).
Agora sempre vejo reportagens sobre ADD, Attention Defficit Disorder. Sempre achei essa tal doença uma grande bobagem pois achava normal muita criança ficar distraída e não conseguir prestar atenção na aula. Totalmente contra essa história de medicar contra distração. Em adulto é o famoso "lesado" (será porque fuma um?).
Mas agora tô começando a desconfiar que tenho esse negócio por causa da minha enorme dificuldade em me concentrar. Eu gostaria de ler mais mas preciso ler toda página de livro umas 3 vezes porque minha cabeça se perde completamente. Quando preciso fazer várias coisas ao mesmo tempo, acabo esquecendo a metade. Uma das minhas chefes disse como eu me distraio tão facilmente. Diferente de falta de memória, somente uma enorme distração. E isso me atrapalha muito.

terça-feira, fevereiro 22, 2005

Chuva
Choveu mais nos dois meses deste ano que no ano passado inteiro. 800mm no ano passado e 1500mm em janeiro/fevereiro. Aqui não tem essa de que só os barracos caem. Aliás, me parece que os ricos são mais atingidos em Los Angeles nos incêndios e deslizamentos. Em 4 dias de chuva, saldo de 3 mortes, ruas que cederam e viraram crateras, buracos em praticamente todas as ruas, enchentes, casas que caíram...esqueci alguma coisa?

sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Mulher
Tem uma música do Mundo Livre que eu adoro: Mulher, para cada satisfeita existe um homem morto.
Mulher às vezes tem umas manias que nunca aceitei muito bem. Uma delas é em relação à cor. Tinha uma garota que eu trabalhava e tudo na mesa dela tinha que ser rosa: clips, papel, notinhas, caneta, grampeador. Tem uma outra mulher que eu ajudo - não é menininha não, ela tem uns 35 anos - e tudo que ter purpurina. TUDO na casa dela é brilhante/purpurina: toalha, canetas, roupas, sapatos, hidratante(!) enfim qualquer coisa.

A deliciosa comida "gringa"
Cozinha aqui é quase uma parte dispensável em muitas casas. É tudo na base do fácil e rápido. Você sabia que aqui se vende purê de batata em pó? Argh! Mistura com água e pronto!

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Ônibus parte 2
Andar de "busão" em Los Angeles sai mais caro que ter um carro. Um passe diário custa U$3, mensal custa U$52. De carro eu gasto U$15 e ando por tudo por duas semanas. Nunca vi isso. Nem sei como sobrevivi sem carro por mais de 2 anos nessa cidade.

E ontem durante mais um passeio no coletivo, tinha uma mulher meio que cochilando com um durex na boca. De repente ela acorda, tira o durex e começa a falar sozinha. Era mexicana. Fala um bocado e coloca o durex na boca de novo. De carro eu perdia todas essas histórias incríveis.

sábado, fevereiro 05, 2005

Pela cidade afora
Hoje foi minha terceira aula como professora. Não estava muito empolgada pra ir mas foi só entrar na sala e me animar. Estou adorando dar aula de português. Passar conhecimento dá uma sensação de útil.
Como estou sem carro desde o Reveillon, sempre pego o ônibus pra voltar. O ônibus 4 vai da praia de Santa Monica até o Centro, ao todo 30 quilômetros. Toda vez é uma história, um mendigo que deixa um cheiro desagradável, um bêbado resmungando, cada um falando uma língua diferente, um ator, sonhando em ser famoso, atrasado pra uma audition. Enquanto isso lá fora o ônibus passa por West LA (bairro de classe média alta e estudantes da UCLA), Beverly Hills, a área das lojas pra gays em West Hollywood, a parte dos russos onde eu desço e depois continua pela área dos travestis em Hollywood, East Hollywood (latinos), Thai Town e por aí vai. Isso tudo só numa linha de ônibus.
Lugar Marcado
Na época de colégio eu odiava quando a professora fazia a gente ter lugar marcado. Nunca fui chegada em rotina. Se eu tenho que ir ao mesmo trabalho todos os dias, sempre tomo caminhos diferentes.
O engraçado é que toda aula ou seminário que participo seja como aluna ou professora, as pessoas sempre sentam no mesmo lugar mesmo sem a "tia" dizer. Sempre! Parece uma necessidade do ser humano de ter hábitos: lugar na mesa de jantar, dormir no mesmo lado da cama...

Tô aqui conversando com a minha amiga e relembrando algumas histórias da adolescência. Saiu um sorriso sarcástico no canto da boca. Gostoso relembrar aquelas loucuras, os porres, segredos, beijos escondidos, amigos que viraram amores, amores que viraram amigos.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

Refletir é viver
Eu tava lendo o blog da Giorgia que acabou de chegar da Índia. Adicionando com a minha crise semanal, quer dizer mais uma reflexão do que crise e tá feito o bolo existencial. A idéia de quando saí do Brasil era atingir um lado mais espiritual, menos materialista e olha onde fui parar? Los Angeles, a meca do individualismo material no mundo. Felizmente conheci pessoas incríveis mas desde que voltei do Brasil, me pergunto todos os dias o que estou fazendo aqui. Não me defino numa profissão e nessa sei fazer de tudo um pouco, o que tem seu lado bom. A vontade de ser mãe cresce proporcional ao desinteresse por uma carreira. Talvez por isso ando tão acomodada. Tantos projetos legais na cabeça, pouca concretização. Isso me deixa louca.
Será que estou precisando de um novo país?
Coachella Line-up
As atrações do Coachella Festival foram divulgadas ontem. O Coachella é o melhor festival comercial de música na Califórnia. Esse ano tem Nine Inch Nails, Bauhaus, Chemical Brothers, Coldplay, New Order, Wilco, Weezer, Prodigy, Secret Machines e acho que até um brazuca, DJ Marky, na área. Mas depois de Pixies e Radiohead no ano passado, eu fiquei satisfeita.
Além do mais, conseguimos comprar o ingresso mais difícil de se conseguir por aqui: U2!!

domingo, janeiro 23, 2005

Na estrada
Passei o findi em Phoenix, ou melhor, Scottsdale no Arizona. Fomos visitar os pais do Dan. Scottsdale é conhecida pela elite americana que vai jogar golfe por lá. Só um pequeno detalhe: campos de golfe no meio do deserto? Eu hein? Maior parte do Estado do Arizona, que é onde fica o Grand Canyon, é pleno deserto e tudo marrom.

quinta-feira, janeiro 20, 2005

Death Penalty
Eu não sabia que aqui na Califórnia também existe pena de morte. Ontem Donald Beardsley de 61 anos foi executado com injeção letal pelo assassinato de 2 jovens em 1981 e outra mulher em 1969. Eu costumava a ser completamente a favor da pena de morte alguns anos atrás. A cada dia que passa tenho menos certeza.
Imagino aquelas prisões no Brasil superlotadas de homens que não pensam 2x antes de matar misturados com "ladrões de galinha". Imagino o aperto que eles passam. Me parece que às vezes os próprios prisioneiros implementam esse sistema lá dentro. Então nessas horas tenho dúvida. Será que é melhor mantê-los em prisão perpétua? Será essa a função da prisão? Será que pessoas que cometem diversos crimes merecem ser perdoadas, ou melhor, libertados? Um padre diria que sim mas quando a vida perde completamente o valor na cabeça de alguém... Ao mesmo tempo prefiro acreditar que algumas pessoas podem mudar. Complicado.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

Mudanças do dia-a-dia
Sempre vivi em fases alternadas de preguiça e loucura total. Semana passada eu estava completamente sem rumo e confusa. Essa semana tudo mudou. Quero voltar a estudar. Tô com projetos para a comunidade, comecei a dar aula de português em duas escolas, socializando mais e outros trabalhos. Eu gosto de trabalhar cada dia num lugar diferente.

Você já viu alguém exercitar no corredor do prédio? Hoje tinha esse russo de pijama e uma touca caminhando por uma hora em volta do corredor. Isso que a gente mora no lado de um parque. Parecia cena de filme.