Fim-de-semana
Meu pai contou que o Kid, editor de Economia no DC, também lê esse blog. Me espantei. É verdade, Kidinho? Comenta aí. Meu pai disse que sua casa foi roubada.
Finalmente depois de um mês hibernando em casa, meu fim-de-semana não podia ter sido melhor. Na sexta assisti Gringo Starr, banda dos baianos Pedro e Cândido e depois rolou uma festinha na casa deles. Eu e a Shannon, que eu não via há meses, tivemos uma acirrada discussão sobre a guerra mas no final tudo bem. Não vamos perder a amizade por divergências políticas. Às vezes acho que sou radical demais.
Primavera chegou com tudo. Já está bem quente. Lembrou o mês de outubro em Floripa quando começa a esquentar e as praias lotam e na volta aquele engarrafamento sem fim. Todo mundo no desespero pra acabar com a palidez. Pois é, não fui pra praia mas fiquei morgando no sol. De noite mais uma festa no loft do Paynie. Não poderia ter sido melhor. Gente legal, alto astral, música até às 6 da manhã. Nem dormi (e estava sóbria). Fui direto pra casa do Tommy e ficamos conversando o dia todo.
Meus pais também continuam na badalação. Viu? SÓ É VELHO QUEM QUER.
segunda-feira, março 31, 2003
sexta-feira, março 28, 2003
Falta uma semana pra Festa de Forró que estou agilizando. Tomara que dê tudo certo. Estou ansiosa. Dá um trabalho mas eu curto organizar eventos.
Filme
Assisti 12 Angry Men de Sidney Lumet, com Henry Fonda. Filme antigo, PB sobre 12 jurados responsáveis pelo julgamento final de um assassinato no qual o acusado é um jovem de 18 anos, morador de uma favela. A princípio, 11 o condenaram a cadeira elétrica e o que se posicionou contra foi convencendo o grupo de que as evidências não eram tão óbvias. Achei os diálogos muito inteligentes. Trata principalmente de preconceito.
Séculos (ou milênios) de Exploração
Quinhentos anos atrás, as duas grandes potências extraíram ao máximo todas as riquezas do que hoje chamam de América Latina. Os nativos que viviam em paz entre eles e com o ambiente foram assassinados em troca de ouro e madeira.
Quando o Paraguai começou a se desenvolver, a Inglaterra, potência da época, encontrou meios de freiar.
América Latina ou Paraguai nunca mais se recuperaram.
O poder consiste em criar dependentes.
A potência atual – EUA – mata e explora sem piedade e quer manter o controle da única riqueza que o Iraque, um país castigado, possui. Prefere gastar 400 bilhões de dólares numa guerra que ambos os lados perdem do que investir em pesquisas pra substituir o petróleo por outra forma de combustível.
Filme
Assisti 12 Angry Men de Sidney Lumet, com Henry Fonda. Filme antigo, PB sobre 12 jurados responsáveis pelo julgamento final de um assassinato no qual o acusado é um jovem de 18 anos, morador de uma favela. A princípio, 11 o condenaram a cadeira elétrica e o que se posicionou contra foi convencendo o grupo de que as evidências não eram tão óbvias. Achei os diálogos muito inteligentes. Trata principalmente de preconceito.
Séculos (ou milênios) de Exploração
Quinhentos anos atrás, as duas grandes potências extraíram ao máximo todas as riquezas do que hoje chamam de América Latina. Os nativos que viviam em paz entre eles e com o ambiente foram assassinados em troca de ouro e madeira.
Quando o Paraguai começou a se desenvolver, a Inglaterra, potência da época, encontrou meios de freiar.
América Latina ou Paraguai nunca mais se recuperaram.
O poder consiste em criar dependentes.
A potência atual – EUA – mata e explora sem piedade e quer manter o controle da única riqueza que o Iraque, um país castigado, possui. Prefere gastar 400 bilhões de dólares numa guerra que ambos os lados perdem do que investir em pesquisas pra substituir o petróleo por outra forma de combustível.
quinta-feira, março 27, 2003
Traficantes fazem greve em Copenhaguen
Os traficantes de drogas da comunidade hippie Christiania, em Copenhaguen, na Dinamarca, surpreenderam ao decidir entrar em greve hoje. O movimento é um protesto contra intimidações públicas feitas contra a "cidade livre".
Conforme a agência Reuters, alguns políticos, especialmente os ligados ao Partido Liberal, de centro-direita, sugeriram que a colônia de 30 anos de existência fosse demolida para que toda a área seja renovada.
"Todos os negócios foram paralisados desde esta manhã e nós não sabemos quanto tempo a greve vai durar. Podem ser dias, podem ser meses", disse Pernilla Hansen, do centro de informações de Christiania.
Os traficantes de drogas da comunidade hippie Christiania, em Copenhaguen, na Dinamarca, surpreenderam ao decidir entrar em greve hoje. O movimento é um protesto contra intimidações públicas feitas contra a "cidade livre".
Conforme a agência Reuters, alguns políticos, especialmente os ligados ao Partido Liberal, de centro-direita, sugeriram que a colônia de 30 anos de existência fosse demolida para que toda a área seja renovada.
"Todos os negócios foram paralisados desde esta manhã e nós não sabemos quanto tempo a greve vai durar. Podem ser dias, podem ser meses", disse Pernilla Hansen, do centro de informações de Christiania.
segunda-feira, março 24, 2003
Declaração de uma baixinha inconformada
Every empire dig their own grave.
A partir de hoje não chamo mais de guerra. Detonar um território sem chance de contra-ataque, é massacre.
Todo dia penso na situação. Se houvesse uma saída pra mudar tudo isso... Como pode as pessoas tocarem suas vidas como se nada estivesse acontecendo? Talvez porque nunca passaram por um ataque como os iraquianos passam, vendo seus lares destruídos.
Meu ex-namorado, que mora numa base no Alabama, disse que está "pissed off"" com o que está acontecendo no Iraque. Antes ele não queria ir mas hoje ele gostaria de estar lá ajudando as tropas (quer o que de um cara que se amarra num filme de guerra?). "Como eles ousam?", ele disse. Quem? Os americanos? Sinto alívio por não estarmos juntos pois apesar de nos darmos bem afetivamente, creio que é inconcebível a união de 2 pessoas com ideoogias tão opostas.
Evito falar desse assunto com os que apóiam como ele porque não entendo (e acabo me exaltando). Por mais que eu me esforce, não consigo compreender como tanta gente concorda com essa violência, com essa violação dos direitos humanos. Como? Como aceitar essa invasão? Por dinheiro, por poder, por controle? Onde está a compaixão, o amor, o respeito ao próximo? Tento ter sempre "an open mind" mas sou incapaz de aceitar alguém que apóie este massacre.
Pode ser radicalismo de minha parte mas não sinto pena dos soldados americanos que estão lá. Foi opção deles. Sinto pena dos iraquiano, principalmente crianças que testemunham a morte, a barbárie, o medo, que não têm a chance de crescer num ambiente de harmonia ou de ser uma criança como todas as outras a brincarem nas ruas. Imagine você com 8 anos, recolhido em seu quarto, sem entender direito o que, nem o porquê...esperando...barulho de explosão...depois outra. A vizinhança se transforma em ruínas...à espera de pessoas estranhas falando uma língua esquisita. Você sabe o que é viver diariamente com medo?
Pela primeira vez não gosto mais de estar aqui. Não quero mais ser moradora de um lugar com tamanha distorção de justiça e bom senso. Tenho vergonha e quero partir.
Viajando um pouco...ainda há uma saída porque teoricamente hippies fazem mais filhos que soldados.
A partir de hoje não chamo mais de guerra. Detonar um território sem chance de contra-ataque, é massacre.
Todo dia penso na situação. Se houvesse uma saída pra mudar tudo isso... Como pode as pessoas tocarem suas vidas como se nada estivesse acontecendo? Talvez porque nunca passaram por um ataque como os iraquianos passam, vendo seus lares destruídos.
Meu ex-namorado, que mora numa base no Alabama, disse que está "pissed off"" com o que está acontecendo no Iraque. Antes ele não queria ir mas hoje ele gostaria de estar lá ajudando as tropas (quer o que de um cara que se amarra num filme de guerra?). "Como eles ousam?", ele disse. Quem? Os americanos? Sinto alívio por não estarmos juntos pois apesar de nos darmos bem afetivamente, creio que é inconcebível a união de 2 pessoas com ideoogias tão opostas.
Evito falar desse assunto com os que apóiam como ele porque não entendo (e acabo me exaltando). Por mais que eu me esforce, não consigo compreender como tanta gente concorda com essa violência, com essa violação dos direitos humanos. Como? Como aceitar essa invasão? Por dinheiro, por poder, por controle? Onde está a compaixão, o amor, o respeito ao próximo? Tento ter sempre "an open mind" mas sou incapaz de aceitar alguém que apóie este massacre.
Pode ser radicalismo de minha parte mas não sinto pena dos soldados americanos que estão lá. Foi opção deles. Sinto pena dos iraquiano, principalmente crianças que testemunham a morte, a barbárie, o medo, que não têm a chance de crescer num ambiente de harmonia ou de ser uma criança como todas as outras a brincarem nas ruas. Imagine você com 8 anos, recolhido em seu quarto, sem entender direito o que, nem o porquê...esperando...barulho de explosão...depois outra. A vizinhança se transforma em ruínas...à espera de pessoas estranhas falando uma língua esquisita. Você sabe o que é viver diariamente com medo?
Pela primeira vez não gosto mais de estar aqui. Não quero mais ser moradora de um lugar com tamanha distorção de justiça e bom senso. Tenho vergonha e quero partir.
Viajando um pouco...ainda há uma saída porque teoricamente hippies fazem mais filhos que soldados.
Oscar
Creio que foi um Oscar atípico. Achei que mais pessoas iriam se posicionar sobre a Guerra. Os que eram contra, demonstraram. Os que apóiam foram mais sutis. Almodóvar recebeu a segunda estatueta. Caetano Veloso cantou e foi apresentado pelo ator de Amores Perros. Gracinha!
Dois artistas presentes no Kodak Theatre que eu admiro por suas opiniões e que eu adoraria cumprimentar: Michael Moore e Bono.
Surpresas:
- Eminem com o Oscar de Melhor Canção (ganhou do U2 e Paul Simon??)
- O discurso de Michael Moore que ganhou Melhor Documentário por Bowling for Columbine. “Gosto de fazer filmes não-fictícios já qe vivemos em períodos de ficção, com uma guerra de motivos fictícios com um presidente que não foi eleito, foi selecionado. Não apoiamos essa guerra. Shame on you, George Bush!”. Muita gente vaiou, alguns aplaudiram. Não imaginei que a Academia o premiaria. Ele diz o que pensa e fala o que quer. É agressivo. Gostaria de fazer documentários como ele.
- O vencedor de Melhor Ator por The Pianist, Adrien Brody, fez um longo discurso e pediu para o deixaram falar quando soltaram a música. A música parou. E ele disse o quanto ele aprendeu com este filme e o quanto a guerra desumaniza as pessoas (afinal os sentimentos são os que nos distinguem de outros seres vivos, não é?). Não lembro o resto mas gostei muito. Foi aplaudido de pé.
M. Moore tem um ótimo ponto de vista mas é agressivo na hora de se expressar. Assusta as pessoas. Adrien foi categórico.
Creio que foi um Oscar atípico. Achei que mais pessoas iriam se posicionar sobre a Guerra. Os que eram contra, demonstraram. Os que apóiam foram mais sutis. Almodóvar recebeu a segunda estatueta. Caetano Veloso cantou e foi apresentado pelo ator de Amores Perros. Gracinha!
Dois artistas presentes no Kodak Theatre que eu admiro por suas opiniões e que eu adoraria cumprimentar: Michael Moore e Bono.
Surpresas:
- Eminem com o Oscar de Melhor Canção (ganhou do U2 e Paul Simon??)
- O discurso de Michael Moore que ganhou Melhor Documentário por Bowling for Columbine. “Gosto de fazer filmes não-fictícios já qe vivemos em períodos de ficção, com uma guerra de motivos fictícios com um presidente que não foi eleito, foi selecionado. Não apoiamos essa guerra. Shame on you, George Bush!”. Muita gente vaiou, alguns aplaudiram. Não imaginei que a Academia o premiaria. Ele diz o que pensa e fala o que quer. É agressivo. Gostaria de fazer documentários como ele.
- O vencedor de Melhor Ator por The Pianist, Adrien Brody, fez um longo discurso e pediu para o deixaram falar quando soltaram a música. A música parou. E ele disse o quanto ele aprendeu com este filme e o quanto a guerra desumaniza as pessoas (afinal os sentimentos são os que nos distinguem de outros seres vivos, não é?). Não lembro o resto mas gostei muito. Foi aplaudido de pé.
M. Moore tem um ótimo ponto de vista mas é agressivo na hora de se expressar. Assusta as pessoas. Adrien foi categórico.
domingo, março 23, 2003
Piada
O presidente George Bush, querendo aumentar sua popularidade, chega a uma
escolinha e explica sua plataforma de governo.
Depois pede às crianças que lhe façam perguntas.
O pequeno Bob toma a palavra:
- Senhor, tenho três perguntas:
1. Como foi que o senhor, mesmo perdendo nas urnas, ganhou a eleição?
2. Por que o senhor insiste tanto em atacar o Iraque?
3. O senhor não acha que a bomba de Hiroshima foi o maior ataque terrorista
da história?
Neste momento, soou a campainha do recreio, e todos os alunos saem da sala.
Na volta, Bush mais uma vez convida as crianças a perguntarem e o Joey lhe
diz:
- Tenho cinco perguntas:
1. Como foi que o senhor, mesmo perdendo nas urnas, ganhou a eleição?
2. Por que o senhor insiste tanto em atacar o Iraque?
3. O senhor não acha que a bomba de Hiroshima foi o maior ataque terrorista
da história?
4. Por que o sinal do recreio soou 20 minutos mais cedo?
5. Cadê o Bob?
O presidente George Bush, querendo aumentar sua popularidade, chega a uma
escolinha e explica sua plataforma de governo.
Depois pede às crianças que lhe façam perguntas.
O pequeno Bob toma a palavra:
- Senhor, tenho três perguntas:
1. Como foi que o senhor, mesmo perdendo nas urnas, ganhou a eleição?
2. Por que o senhor insiste tanto em atacar o Iraque?
3. O senhor não acha que a bomba de Hiroshima foi o maior ataque terrorista
da história?
Neste momento, soou a campainha do recreio, e todos os alunos saem da sala.
Na volta, Bush mais uma vez convida as crianças a perguntarem e o Joey lhe
diz:
- Tenho cinco perguntas:
1. Como foi que o senhor, mesmo perdendo nas urnas, ganhou a eleição?
2. Por que o senhor insiste tanto em atacar o Iraque?
3. O senhor não acha que a bomba de Hiroshima foi o maior ataque terrorista
da história?
4. Por que o sinal do recreio soou 20 minutos mais cedo?
5. Cadê o Bob?
sábado, março 22, 2003
Século da Informação
Fui no Peaceblogs! e maior parte dos blogs são de brasileiros. Ou somos mais pacíficos ou as pessoas do meu país gostam de se comunicar. O Brasil parece ter a maior de comunidade de blogueiros na rede mundial. Por que criamos blog? Por que gostamos de mostrar nossas opiniões pros outros? Quando alguém que não me conhece e lê meu blog (assim como leio de desconhecidos tb), fico surpresa. Criei o Diário de Bordo pois os amigos que estão longe sempre escreviam perguntando por onde eu andava. Simplificou minha vida e agora sobrou mais tempo pra ler as trocentas msg que recebo. Mas pensando bem, se eu voltar pro Brasil acho que vou continuar meu diário.
Fui no Peaceblogs! e maior parte dos blogs são de brasileiros. Ou somos mais pacíficos ou as pessoas do meu país gostam de se comunicar. O Brasil parece ter a maior de comunidade de blogueiros na rede mundial. Por que criamos blog? Por que gostamos de mostrar nossas opiniões pros outros? Quando alguém que não me conhece e lê meu blog (assim como leio de desconhecidos tb), fico surpresa. Criei o Diário de Bordo pois os amigos que estão longe sempre escreviam perguntando por onde eu andava. Simplificou minha vida e agora sobrou mais tempo pra ler as trocentas msg que recebo. Mas pensando bem, se eu voltar pro Brasil acho que vou continuar meu diário.
Amanhã é dia do Oscar aqui perto de casa. Muita gente preocupada.
O pessoal que eu conheço por aqui anda mais parado, meio "abatido". Ninguém sai muito. Nunca imaginei estar num país em guerra. Essa guerra é a maior demonstração de despotismo que presenciei em minha vida. Acho que esse país merece ser boicotado pelo mundo inteiro até aprender que não pode passar por cima de uma opinião coletiva e que deve-se respeitar as outras nações. Porque é infeliz pensar individualmente no momento em que o mundo tem caminhado pra uma unificação pacífica, onde todos circulam mais facilmente por todos os cantos do mundo e quem nadar contra a corrente vai se afogar if you know what I mean.
O pessoal que eu conheço por aqui anda mais parado, meio "abatido". Ninguém sai muito. Nunca imaginei estar num país em guerra. Essa guerra é a maior demonstração de despotismo que presenciei em minha vida. Acho que esse país merece ser boicotado pelo mundo inteiro até aprender que não pode passar por cima de uma opinião coletiva e que deve-se respeitar as outras nações. Porque é infeliz pensar individualmente no momento em que o mundo tem caminhado pra uma unificação pacífica, onde todos circulam mais facilmente por todos os cantos do mundo e quem nadar contra a corrente vai se afogar if you know what I mean.
Obrigado, presidente Bush
Paulo Coelho
Obrigado, grande líder George W. Bush.
Obrigado por mostrar a todos o perigo que Saddam Hussein representa. Talvez muitos de nós tivéssemos esquecido de que ele utilizou armas químicas contra seu povo, contra os curdos, contra os iranianos. Hussein é um ditador sanguinário, uma das mais claras expressões do mal hoje.
Entretanto essa não é a única razão pela qual estou lhe agradecendo. Nos dois primeiros meses de 2003, o sr. foi capaz de mostrar muitas coisas importantes ao mundo, e por isso merece minha gratidão. Assim, recordando um poema que aprendi na infância, quero lhe dizer obrigado.
Obrigado por mostrar a todos que o povo turco e seu Parlamento não estão à venda, nem por 26 bilhões de dólares.
Obrigado por revelar ao mundo o gigantesco abismo que existe entre a decisão dos governantes e os desejos do povo. Por deixar claro que tanto José María Aznar como Tony Blair não dão a mínima importância e não têm nenhum respeito pelos votos que receberam. Aznar é capaz de ignorar que 90% dos espanhóis estão contra a guerra, e Blair não se importa com a maior manifestação pública na Inglaterra nestes 30 anos mais recentes.
Obrigado porque sua perseverança forçou Blair a ir ao Parlamento com um dossiê falsificado, escrito por um estudante há dez anos, e apresentar isso como "provas contundentes recolhidas pelo serviço secreto britânico".
Obrigado por fazer com que Colin Powell se expusesse ao ridículo, mostrando ao Conselho de Segurança da ONU algumas fotos que, uma semana depois, foram publicamente contestadas por Hans Blix, o inspetor responsável pelo desarmamento do Iraque.
Obrigado porque sua posição fez com que o ministro de Relações Exteriores da França, sr. Dominique de Villepin, em seu discurso contra a guerra, tivesse a honra de ser aplaudido no plenário, honra que, pelo que eu saiba, só tinha acontecido uma vez na história da ONU, por ocasião de um discurso de Nelson Mandela.
Obrigado porque, graças aos seus esforços pela guerra, pela primeira vez as nações árabes, geralmente divididas, foram unânimes em condenar uma invasão, durante encontro no Cairo.
Obrigado porque, graças à sua retórica afirmando que "a ONU tem uma chance de mostrar sua relevância", mesmo países mais relutantes terminaram tomando posição contra um ataque.
Obrigado por sua política exterior ter feito o ministro de Relações Exteriores da Inglaterra, Jack Straw, declarar em pleno século 21 que "uma guerra pode ter justificativas morais" e, ao declarar isso, perder toda a credibilidade.
Obrigado por tentar dividir uma Europa que luta pela sua unificação; isso foi um alerta que não será ignorado.
Obrigado por ter conseguido o que poucos conseguiram neste século: unir milhões de pessoas, em todos os continentes, lutando pela mesma idéia, embora essa idéia seja oposta à sua.
Obrigado por nos fazer de novo sentir que, mesmo que nossas palavras não sejam ouvidas, elas pelo menos são pronunciadas, e isso nos dará mais força no futuro.
Obrigado por nos ignorar, por marginalizar todos aqueles que tomaram uma atitude contra sua decisão, pois é dos excluídos o futuro da Terra.
Obrigado porque, sem o sr., não teríamos conhecido nossa capacidade de mobilização. Talvez ela não sirva para nada no presente, mas será útil mais adiante.
Agora que os tambores da guerra parecem soar de maneira irreversível, quero fazer minhas as palavras de um antigo rei europeu a um invasor: "Que sua manhã seja linda, que o sol brilhe nas armaduras de seus soldados, porque durante a tarde eu o derrotarei".
Obrigado por permitir a todos nós, um exército de anônimos que passeiam pelas ruas tentando parar um processo já em marcha, tomarmos conhecimento do que é a sensação de impotência, aprendermos a lidar com ela e a transformá-la.
Portanto, aproveite sua manhã e o que ela ainda pode trazer de glória.
Obrigado porque não nos escutastes e não nos levaste a sério. Pois saiba que nós o escutamos e não esqueceremos suas palavras.
Obrigado, grande líder George W. Bush.
Muito obrigado.
Paulo Coelho
Obrigado, grande líder George W. Bush.
Obrigado por mostrar a todos o perigo que Saddam Hussein representa. Talvez muitos de nós tivéssemos esquecido de que ele utilizou armas químicas contra seu povo, contra os curdos, contra os iranianos. Hussein é um ditador sanguinário, uma das mais claras expressões do mal hoje.
Entretanto essa não é a única razão pela qual estou lhe agradecendo. Nos dois primeiros meses de 2003, o sr. foi capaz de mostrar muitas coisas importantes ao mundo, e por isso merece minha gratidão. Assim, recordando um poema que aprendi na infância, quero lhe dizer obrigado.
Obrigado por mostrar a todos que o povo turco e seu Parlamento não estão à venda, nem por 26 bilhões de dólares.
Obrigado por revelar ao mundo o gigantesco abismo que existe entre a decisão dos governantes e os desejos do povo. Por deixar claro que tanto José María Aznar como Tony Blair não dão a mínima importância e não têm nenhum respeito pelos votos que receberam. Aznar é capaz de ignorar que 90% dos espanhóis estão contra a guerra, e Blair não se importa com a maior manifestação pública na Inglaterra nestes 30 anos mais recentes.
Obrigado porque sua perseverança forçou Blair a ir ao Parlamento com um dossiê falsificado, escrito por um estudante há dez anos, e apresentar isso como "provas contundentes recolhidas pelo serviço secreto britânico".
Obrigado por fazer com que Colin Powell se expusesse ao ridículo, mostrando ao Conselho de Segurança da ONU algumas fotos que, uma semana depois, foram publicamente contestadas por Hans Blix, o inspetor responsável pelo desarmamento do Iraque.
Obrigado porque sua posição fez com que o ministro de Relações Exteriores da França, sr. Dominique de Villepin, em seu discurso contra a guerra, tivesse a honra de ser aplaudido no plenário, honra que, pelo que eu saiba, só tinha acontecido uma vez na história da ONU, por ocasião de um discurso de Nelson Mandela.
Obrigado porque, graças aos seus esforços pela guerra, pela primeira vez as nações árabes, geralmente divididas, foram unânimes em condenar uma invasão, durante encontro no Cairo.
Obrigado porque, graças à sua retórica afirmando que "a ONU tem uma chance de mostrar sua relevância", mesmo países mais relutantes terminaram tomando posição contra um ataque.
Obrigado por sua política exterior ter feito o ministro de Relações Exteriores da Inglaterra, Jack Straw, declarar em pleno século 21 que "uma guerra pode ter justificativas morais" e, ao declarar isso, perder toda a credibilidade.
Obrigado por tentar dividir uma Europa que luta pela sua unificação; isso foi um alerta que não será ignorado.
Obrigado por ter conseguido o que poucos conseguiram neste século: unir milhões de pessoas, em todos os continentes, lutando pela mesma idéia, embora essa idéia seja oposta à sua.
Obrigado por nos fazer de novo sentir que, mesmo que nossas palavras não sejam ouvidas, elas pelo menos são pronunciadas, e isso nos dará mais força no futuro.
Obrigado por nos ignorar, por marginalizar todos aqueles que tomaram uma atitude contra sua decisão, pois é dos excluídos o futuro da Terra.
Obrigado porque, sem o sr., não teríamos conhecido nossa capacidade de mobilização. Talvez ela não sirva para nada no presente, mas será útil mais adiante.
Agora que os tambores da guerra parecem soar de maneira irreversível, quero fazer minhas as palavras de um antigo rei europeu a um invasor: "Que sua manhã seja linda, que o sol brilhe nas armaduras de seus soldados, porque durante a tarde eu o derrotarei".
Obrigado por permitir a todos nós, um exército de anônimos que passeiam pelas ruas tentando parar um processo já em marcha, tomarmos conhecimento do que é a sensação de impotência, aprendermos a lidar com ela e a transformá-la.
Portanto, aproveite sua manhã e o que ela ainda pode trazer de glória.
Obrigado porque não nos escutastes e não nos levaste a sério. Pois saiba que nós o escutamos e não esqueceremos suas palavras.
Obrigado, grande líder George W. Bush.
Muito obrigado.
sexta-feira, março 21, 2003
quinta-feira, março 20, 2003
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